AVANÇOS CONTRA A HEPATITE C
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SEM CORTES
O médico Paulo Ferreira realiza exame que usa
ultrassom para avaliar o fígado.
O teste substitui a biópsia
Duas novas
medicações para tratar a hepatite C podem elevar as chances de cura de
pacientes com a forma mais agressiva da doença. As substâncias, o
telaprevir e o boceprevir, estão sendo ministradas com a terapia-padrão
(uma associação entre o Interferon e a Ribavirina) para tratar pacientes
infectados com o subtipo 1 do vírus HCV, o mais resistente dos três
subtipos causadores da doença. Os médicos indicam os remédios porque
ambos inibem uma enzima necessária à replicação do vírus. Entre
pacientes que nunca foram tratados, estudos mostram que a combinação dos
novos medicamentos com as substâncias tradicionalmente receitadas
estimula no organismo uma resposta forte o suficiente para tornar
indetectável a quantidade de vírus no sangue em 75% dos casos. Apenas
nessa circunstância os médicos falam em cura. Sem essas medicações,
cerca de 40% dos pacientes reduzem tanto a carga viral.
A combinação de remédios é especialmente benéfica para pacientes com
recaída da doença, constatada quando o exame de sangue mostra que a
carga viral volta a crescer após a interrupção das medicações. A taxa de
sucesso chega a 88% com a adição dessas drogas mais recentes ao
tratamento. O empresário Dante Caddeo, 57 anos, de Arujá (SP), recebeu a
terapia combinada e se deu bem. “Tive várias recaídas, mas agora estou
curado. Voltei a ter vida normal”, diz. Caddeo participou de testes para
avaliar o novo tratamento no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em
São Paulo.
Apesar de ambos os remédios estarem aprovados pela Agência Nacional de
Vigilância Sanitária, eles ainda não estão disponíveis na rede pública.
Por isso, os pacientes estão garantindo seu acesso a eles recorrendo à
Justiça. Ao obter uma liminar, obrigam o governo a fornecer o remédio. O
tratamento com o telaprevir, por exemplo, custa cerca de R$ 70 mil. “A
hepatite C evolui lentamente e, por isso, a maioria dos pacientes pode
esperar a incorporação pelo SUS, que ocorrerá certamente neste ano, sem
prejuízo à saúde”, diz o infectologista Paulo Abrão Ferreira, da
Universidade Federal de São Paulo. O infectologista Artur Timerman, do
Hospital Edmundo Vasconcelos, de São Paulo, pensa diferente. “Os
pacientes devem ter acesso aos novos medicamentos o quanto antes. Se for
preciso, por meio de uma liminar”, diz o especialista. O Ministério da
Saúde informou que está “na etapa de organizar a proposta, estimar a
população usuária e o consequente impacto financeiro para apresentá-la à
Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias”. Trata-se de uma
instância que irá recomendar ou não a entrada dos novos remédios na
lista de medicações oferecidas pelo governo.
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SUCESSO
O empresário Dante Caddeo, de São Paulo, usou a terapia combinada e
agora está curado
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