CARTILHA SOBRE HEPATITE C


Elaboramos uma cartilha impressa com o desenvolvimento técnico do Dr. Evaldo Stanislau Affonso de Araújo para divulgação da Hepatite C, entendendo que a informação é a melhor forma de prevenção. Na Bahia, o Grupo Vontade de Viver também a imprimiu, com a anuência do Dr. Raymundo Paraná, para uma divulgação mais efetiva dentro do estado. Estamos colocando-a no nosso site e deixando-a a sua disposição, para que você possa divulgá-la entre seus conhecidos.  Abaixo apresentamos o texto de fácil leitura e compreensão, esclarecendo que as informações aqui contidas estão resumidas e servem de balizamento para que as dúvidas que irão surgir possam ser tiradas com o seu médico.

HEPATITE C

CONHECENDO PARA PREVENIR, TRATAR E CONVIVER

“Palavra de Médico“

Quando recebi a missão de redigir este Manual, fiquei preocupado. Mas, com o apoio do Jeová Pessin Fragoso, empregado da Petrobras e coordenador do Grupo Esperança, a tarefa ficou mais fácil. Decidimos que ele falaria sobre o que aprendeu ao longo do seu dia-a-dia lidando com a Hepatite, e que eu faria a supervisão e revisão técnica. Agora, ao escrever estas palavras, tenho em mim o orgulho do pai que vê seu filho crescer e andar com passos firmes. O Jeová produziu, com rara felicidade, um texto objetivo, correto e atual. Cada leitor das páginas que se seguem terá uma noção exata do que é a Hepatite C.

A Petrobras e sua gente também estão de parabéns, pois desde cedo assumiram uma posição de vanguarda, sendo a Refinaria Presidente Bernardes-Cubatão palco de pelo menos três encontros de CIPAs, onde as hepatites, principalmente a C, foram amplamente discutidas. A edição do presente Manual, que dá à Hepatite C a sua real dimensão e se transforma em importante arma de educação para prevenir — pois vacina não há —, coloca seus técnicos das áreas da Saúde e Social como propulsores do combate e prevenção à essa doença, antes mesmo dos órgãos governamentais.

Já o Grupo Esperança — que do Sindicato dos Petroleiros recebeu os meios para sua criação — mantém-se como ativo e importante instrumento no enfrentamento dessa silenciosa epidemia e tem tido seu crescimento favorecido pelo apoio que recebe da entidade sindical, na medida em que usufrui de sua infra-estrutura e do respeito que a mesma possui na sociedade.

Parabéns ao Grupo Esperança! Parabéns aos Petroleiros! Parabéns à Petrobras! Vocês, que não são médicos, curam com o remédio mais potente: conhecimento e compaixão!

Boa leitura! Aprenda, divulgue e não se esqueça, na dúvida procure seu médico.

Dr. Evaldo Stanislau Affonso de Araújo.
Médico Infectologista especializado e pós-graduado pela FMUSP.


 

O QUE SIGNIFICA HEPATITE?

O termo hepatite significa inflamação do fígado. Existem várias tipos de hepatites, sendo as mais comum as causadas por vírus que atingem preferencialmente o fígado e são contagiosas.

FORMAS NÃO VIRAIS DE HEPATITES

Podem ser causadas por agentes tóxicos (drogas ou substâncias químicas), medicamentos, álcool ou por anormalidade do sistema imunológico. Essas não são contagiosas.

OS TIPOS DE HEPATITES VIRAIS – Uma sopa de letras...

Os tipos de hepatites virais até agora conhecidos, classificados por letras do alfabeto, são a Hepatite A, a Hepatite B e a Hepatite C, consideradas as mais sérias, sendo que as hepatites D, G e TT têm pequena importância em nosso meio, e a Hepatite E torna-se preocupante para gestantes, porque pode causar o aborto. É possível que outros vírus ainda sejam descobertos.

QUAIS OS SINTOMAS DA HEPATITE VIRAL?

Nem sempre a hepatite viral apresenta sintomas, principalmente a do tipo C, que é assintomática em 95% dos casos. Porém, em fase aguda a hepatite viral pode manifestar-se com mal-estar geral, perda do apetite, escurecimento da urina e coloração amarela da pele e dos olhos. Algumas vezes surge febre variável, dor abdominal, vômitos repetidos e coceira no corpo. Em muitas pessoas, principalmente entre as crianças, esses sintomas são leves e passageiros, podendo passar por uma gripe ou outro distúrbio digestivo, o que dificulta um diagnóstico preciso. Exames laboratoriais que apurem alterações nas transaminases (enzimas do sangue chamadas ALT/TGP e AST/TGO) podem sinalizar uma infecção ou inflamação. Caso persistam por mais de 6 meses, essas alterações podem caracterizar uma forma crônica de hepatite. Portanto, atenção: as hepatites geralmente são silenciosas e não causam sintomas.

COMO ACONTECE O CONTÁGIO PELA HEPATITE VIRAL?

Abaixo, indicamos os tipos mais comuns e importantes de hepatites virais e algumas respectivas formas de contágio.

Hepatite A

Ingestão de água e alimentos contaminados. Contato com urina e fezes contaminadas. O contágio poderá ocorrer, entre outras formas, durante o ato sexual com parceiro(a) infectado(a), banho em águas contaminadas, através da saliva no compartilhamento de copos e talheres com pessoa contaminada.

Hepatite B

Contato com sangue contaminado e outros fluídos corporais. O contágio ocorre, entre outras formas, durante o ato sexual com parceiro(a) infectado(a), na gestação e amamentação por mulheres portadoras,  pela saliva, urina e fezes.

Hepatite C

Somente no contato de sangue com sangue contaminado. Transfusões de sangue e seus derivados – principalmente antes de 1993 – indica a maior forma de contágio. Embora incomum, a transmissão sexual é possível.

POR QUE A HEPATITE C É A MAIS GRAVE E COMPLEXA?

Entre as hepatites virais, a do tipo C, causada pelo vírus VHC, apresenta vários aspectos que a colocam como uma das maiores preocupações da saúde mundial nesse princípio de século. Ela já infectou mais de 170 milhões de pessoas no mundo e, no Brasil, já atingiu mais de 2% da população (cerca de 3 milhões de pessoas). Com uma ação lenta e silenciosa (na maioria dos casos não apresenta qualquer tipo de sintomas), em 80% dos infectados torna-se crônica, estabelecendo-se no organismo por vários anos. Pode evoluir para a cirrose e o câncer de fígado.

A HEPATITE C

só foi descoberta no ano de 1989, o que talvez seja um dos motivos de não possuirmos ainda uma terapêutica de cura efetiva para ela, pois os medicamentos atualmente disponíveis não garantem mais do que 30% de eficácia. Sua complexidade é estabelecida a partir do diagnóstico, pois, para uma investigação mais precisa do eventual dano que ela tenha provocado ao fígado, bem como para o acompanhamento clínico do portador, tornam-se imprescindíveis exames de alta sensibilidade, que são de alto custo, tecnologia de ponta e relativa demora.

O Ministério da Saúde, através da Portaria nº 639/2000, comprova esse fato quando aceita a necessidade de custear o tratamento, pois também reconhece a gravidade das formas evolutivas da enfermidade ¾ principalmente aquelas que não são tratadas ¾, e admite a sua grande incidência na população brasileira.

Um fator que contribuiu para a proliferação Hepatite C é que somente a partir de 1993 os Bancos de Sangue foram dotados da tecnologia para a detecção do vírus transmissor da doença, o que permitiu suspender a distribuição de sangue contaminado (até aquele ano, como não havia testes, muitas pessoas foram infectadas ao receberem sangue ou seus derivados contaminados). Hoje, a Hepatite C é a maior causa de cirrose hepática e transplantes de fígado no mundo, embora o risco de contaminação em transfusão seja mínimo.

COMO SE “PEGA” O VÍRUS DA HEPATITE C?

O vírus da Hepatite C, denominado VHC, só é transmitido pelo sangue e seus derivados através de transfusão ou outro tipo de contato direto (sangue com sangue).

Esclarecimentos para as dúvidas mais freqüentes:

Na relação sexual

A transmissão é possível, embora incomum. Estudos em casais discordantes (aqueles onde apenas um dos parceiros possui o VHC) revelam que o risco fica em torno de 8%. Assim, recomendamos o uso de preservativo, mas a transmissão sexual é mais comum em pessoas com promiscuidade sexual e Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs), sendo recomendada a mudança de comportamento nos que se identificam com tais práticas.

Da mãe para o filho  -  Transmissão Vertical

Somente se no momento do parto houver contato do sangue da mãe com o sangue do filho. Apenas 5% das crianças filhas de gestantes portadoras da Hepatite C nascem com o vírus. Não há recomendação para que a mulher portadora do VHC não engravide, como também não há restrição para a amamentação. A co-infecção com a HIV aumenta o risco de transmissão de mãe para filho.

No convívio social

A transmissão ocorre somente pelo contato com sangue contaminado, através de feriadas na pele ou mucosas (DSTs, corrimentos), mesmo que imperceptíveis. Não existe o contágio por abraços, beijos, espirros, tosse, saliva, compartilhamento de copos e talheres, e também não no contato casual. Recomenda-se que não sejam compartilhados objetos de higiene íntima, como barbeadores, escovas de dentes, alicates de unha.

No ambiente de trabalho

Há risco de contágio para os trabalhadores das áreas médica, odontológica ou de qualquer outra ocupação na qual exista contato com sangue eventualmente infectado. Em outras atividades onde ocorram acidentes pelo uso de ferramentas ou equipamentos pérfuro-cortantes, levando-se em conta que um desses materiais possa estar infectado com sangue contaminado pelo vírus da Hepatite C, o risco existe mas é muito pequeno. Em qualquer atividade, se houver a necessidade de prestar ajuda a uma pessoa acidentada, use luvas descartáveis e outros equipamentos de bio-segurança para afastar o perigo da transmissão.

COMO É FEITO O TESTE DE DETECÇÃO PARA A HEPATITE C ? QUEM DEVE FAZÊ-LO?

O teste para detectar o vírus da Hepatite C é feito através de uma simples coleta de sangue, chamada de Anti-HCV. O fato de atingir o fígado lentamente, quase sem apresentar sintomas mas causando sérias complicações, indica que o ideal seria que todas as pessoas procurassem atendimento médico preventivo.

Cerca de 40% dos infectados com o VHC, no Brasil, não sabem como o contraíram. Ou seja, não fazem parte do chamado “grupo de risco” (pessoas sujeitas a exposições diretas com sangue). Se você fizer parte da lista abaixo, deve procurar o seu médico ou um posto de saúde para fazer o teste de detecção o mais breve possível:

·          Recebeu sangue ou derivados antes de 1993.

·          Hemofílicos.

·          Fez tatuagem ou piercing.

·          Compartilhou seringas

·          Usou drogas, inclusive aspiráveis.

·          Profissionais da área de saúde.

·          Esteve confinado.

·          Apresenta alterações em exames do fígado

·          Todas as pessoas que mantiveram ou mantêm contato com sangue, eventual ou continuamente.

 
COMO PREVENIR-SE CONTRA A HEPATITE C?

Como o vírus da Hepatite C só é transmitido por sangue, seja em transfusões ou contato direto, as formas de contágio são bem mais reduzidas do que em outros tipos de hepatites. No entanto, alguns cuidados devem ser tomados por todas as pessoas: individualizar o uso de alicates e cortadores de unha, de aparelhos de barbear e outros objetos pérfuro-cortantes ¾ se possível, levar seus próprios aparelhos à manicure, cabeleireiro, esteticista, etc; fazer a esterilização total dos instrumentos utilizados nos procedimentos odontológicos; usar preservativos na relação sexual, pois, embora esse tipo de contágio seja menor que 8%, o índice se eleva acentuadamente no sexo promíscuo.

Vacina

Ao contrário das hepatites  A e B, que já contam com vacina de imunização, para a Hepatite C ainda não existe vacina, o que reforça a necessidade da prevenção e cuidados gerais.

Obs.: Os portadores crônicos de Hepatite C que não tiveram as hepatites A ou B devem tomar as vacinas contra esses tipos da doença, o que pode ser feito gratuitamente nas unidades municipais de saúde.

COMO TRATAR A HEPATITE C ?

Se a infecção pelo vírus  da Hepatite C for constatada, o portador deverá manter a calma, não ingerir nenhum tipo de bebida alcóolica, procurar um médico especialista em infectologia ou gastroenterologia, ou uma unidade de saúde que seja referência em hepatites virais.

É importante ressaltar que é muito raro uma hepatite viral apresentar uma evolução tão rápida que possa ser considerada fulminante. De qualquer forma, o início do acompanhamento médico deve ser imediato. Esse acompanhamento pode até não ser medicamentoso, mas a orientação de um médico é sempre uma das principais terapêuticas.

É o profissional da saúde que fará o levantamento dos antecedentes epidemiológicos e clínicos do paciente para, a partir daí, iniciar os exames de prova da função hepática que mostrarão como está o funcionamento do fígado. Outros exames de sangue que utilizam tecnologia moderna de biologia molecular permitirão uma confirmação definitiva da infecção pelo vírus VHC. Além dessa avaliação laboratorial, serão realizados exames como a ultrasonografia e a endoscopia, que fornecerão dados para a interpretação da extensão do problema.

Normalmente, no final dessa etapa de avaliação ¾ chamada de pré-tratamento ¾ é solicitada a biópsia hepática, exame em que um fragmento do fígado é examinado pelo patologista, o que permitirá indicar uma eventual lesão hepática. Esse procedimento é relativamente simples e completa os dados que o médico precisa para fazer um diagnóstico da doença e do respectivo estágio de evolução. A partir desse momento, o médico traça um plano de tratamento, com o uso de drogas que tentarão inibir e eliminar o vírus, ou adota medidas para evitar maiores complicações decorrentes de uma enfermidade em estágio mais avançado.

Tratamento alternativo

Não existem registros científicos que comprovem a eliminação do VHC através de recursos alternativos, como yoga, reiki, acupuntura, etc. Mas esses tratamentos podem ser uma opção pessoal satisfatória, desde que sejam feitos em conjunto com o que for prescrito pelo médico, e que o mesmo seja informado a respeito. Quanto a ervas recomendadas pela crendice popular, bem como vitaminas e produtos homeopáticos, o cuidado deverá ser redobrado pois a substância ingerida poderá ser tóxica para o fígado. Nunca tome remédios ou substâncias sem antes consultar o médico.  

QUAIS SÃO OS MEDICAMENTOS PARA A HEPATITE C?

São dois: o Interferon alfa, que funciona como um inibidor do vírus e é uma injeção de aplicação subcutânea ou intramuscular, ministrada 3 vezes por semana. Foi uma das primeiras drogas a serem usadas contra o VHC e continua sendo a primeira escolha até hoje, utilizada inclusive como monoterapia (único medicamento no tratamento) até o acréscimo da Ribavirina, substância que inibe os processos de replicação de diversos vírus e é administrada por via oral.

Eficácia do medicamento

O tratamento para a Hepatite C ainda não atingiu o ideal, pois alcança uma probabilidade de cura de apenas 30%, além de ser oneroso, de uso prolongado e de apresentar reações adversas. No entanto, já está sendo utilizada uma nova droga, denominada Interferon Peguilado, que eleva a chance de cura para quase 70%, reduzindo sensivelmente os efeitos colaterais. Esse novo remédio foi aprovado pela Agência de Vigilãncia Nacional e lançado no Brasil em agosto de 2001. Substitui o Interferon alfa convencional, associado com a Ribavirina.

Custo do medicamento

Os medicamentos para tratamento da Hepatite C são de altíssimo custo. Desde março de 2000, porém, eles são distribuídos gratuitamente aos portadores da doença através das Divisões Regionais de Saúde, após a sua padronização pela Comissão de Medicamentos Básicos.

Obs.: O programa de distribuição gratuita ainda não inclui o novo Interferon Peguilado.

QUAL É A FUNÇÃO DO FÍGADO?

O fígado processa as reservas de ferro, vitaminas e minerais no corpo. Produz bílis para ajudar a digestão da comida e de gorduras. Desintoxica o organismo de substâncias químicas venenosas, drogas e bebidas alcóolicas. Atua como um filtro, convertendo as substâncias que podem ser aproveitadas ou eliminadas. Fabrica sangue. Converte o alimento em energia armazenada. Fabrica substâncias químicas necessárias para a vida, o crescimento. Fabrica proteínas novas. Remove venenos, fumo e substâncias químicas que respiramos.

OS NÚMEROS DA HEPATITE C:

· A doença foi descoberta somente em 1989.

· São 170 milhões de infectados no mundo, sendo 3,3 milhões no Brasil.

· A incidência já é sete vezes maior que a da AIDS.

· 95% dos infectados não apresentam sintomas, até descobrirem que são portam o vírus.

· 20% dos doentes desenvolvem cirrose e desses 8% desenvolvem câncer no fígado.

· 40% a 50% dos infectados não sabem como contraíram a doença.

· A faixa etária de maior incidência é a partir dos 40 anos.

Fonte: Grupo Esperança e Dr. Evaldo Stanislau A Araújo, infectologista HGA e FM/USP.


VISÃO GERAL DA HEPATITE C

Embora a Hepatite C tenha sido descoberta apenas em 1989, desde a década de 60 já se sabia que os vírus causavam hepatites relacionadas à transfusão de sangue. Assim, com a descoberta das hepatites B e A, na década de 70 tínhamos as hepatites não A-não B. Procurado por muitos anos, o tipo C foi finalmente descoberto no final da década de 80 do século XX, por pesquisadores nos Estados Unidos. O impacto foi dramático. Para se ter idéia, apenas no primeiro ano de utilização de testes diagnósticos para Hepatite C em candidatos a doação de sangue naquele país, 111 infecções foram prevenidas por dia!

No Brasil tivemos grupos atuando em paralelo, com destaque para o Prof. Antonio Barone, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, o qual homenageio.Com sua visão de vanguarda, o Prof. Barone abriu um ambulatório para acompanhar e tratar das hepatites, realizando desde 1989 milhares de atendimentos e exames para portadores dessa patologia.

Devido a relevância da epidemia de AIDS que assolava o mundo de forma descontrolada, pouco se falava naqueles anos da Hepatite C. Mas, a partir de 1995, com o surgimento de drogas mais potentes para combater o HIV, essa epidemia começou a ser controlada e, sem alarde, uma legião de pesquisadores e médicos passou a apresentar o resultado de seus trabalhos sobre o VHC, um inimigo tão ou mais devastador do que o HIV.

O resultado é que as pesquisas avançaram muito e hoje dispomos de uma tecnologia de diagnóstico extremamente avançada  ¾ e cara ¾, além de uma melhor compreensão da doença, que infelizmente ainda possui mistérios não decifrados e fundamentais para a cura em todos os casos. Atualmente, generaliza-se a preocupação com o VHC, reconhecidamente  um dos maiores problemas de Saúde Pública, principalmente nos pacientes com mais de 40 anos e naqueles infectados também pelo HIV.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), até o ano 2000 havia 170 milhões de infectados pelo VHC (contra 36 milhões de infectados pelo HIV), com a mortalidade anual de 476 mil pessoas. Sabe-se que a mortalidade decorrente de complicações do VHC aumentará nos próximos anos em até dez vezes.

A Hepatite C é uma doença silenciosa e não totalmente conhecida. Seu tratamento, além de caro e difícil, é de eficácia insatisfatória e ainda não foi desenvolvida uma vacina preventiva. O que fazer, então? Algumas idéias, como controlar os Bancos de Sangue, já são aplicadas com  absoluto sucesso. Resta investir na pesquisa ¾ o que tem sido feito maciçamente ¾, prevenir novos casos (principalmente em usuários de drogas) e alertar a população para diminuir o contágio banal, como, por exemplo, em salões de beleza, barbeiros, etc.

Com relação aos já infectados, um alerta deve ser feito: como a maioria dos portadores desconhece a sua condição (pois, repetimos, a doença geralmente não apresenta sintomas), os que estão sob risco devem fazer o exame. Ou seja, quanto mais precoce o diagnóstico, maior a chance de cura ou controle. Aos infectados, há que se ofertar o melhor tratamento possível. Devemos, ainda, estimular a doação de órgãos, pois o transplante de fígado é a única alternativa para muitos pacientes e há uma longa fila de espera.

A esperança é que novos medicamentos estejam disponíveis, brevemente. Programas assistenciais públicos começam a funcionar e tem avançado a conscientização da sociedade. A educação é primordial e duas mensagens devem ficar claras: a bebida alcoólica é totalmente proibida aos portadores de Hepatite C e a doença não escolhe cor, classe social ou grupos específicos. Todos estão sujeitos a ter ou contrair o VHC, se não houver uma ampla conscientização e controle sobre esse mal !

No dia 5 de fevereiro de 2002 foi instituído o Programa Nacional de Controle e Prevenção às Hepatites Virais, através da Portaria nº 263 do Ministério da Saúde, reconhecendo a gravidade, a alta incidência e a necessidade da ação conjunta de todas as esferas do governo para o enfrentamento dessa enfermidade que já se tornou uma das maiores preocupações de saúde do país.

Dr.Evaldo Stanislau Affonso de Araújo.

Médico Infectologista especializado e pós-graduado pela FMUSP.

Diretor Técnico, idealizador e um dos fundadores do Grupo Esperança.

ONDE PROCURAR INFORMAÇÃO E ORIENTAÇÃO?

Se desejar mais informações e qualquer orientação, não hesite em procurar seu médico, um Posto de Saúde, ou o grupo de apoio na sua região. Na Baixada Santista, desde novembro de 1999 existe o GRUPO ESPERANÇA, formado por portadores da Hepatite C e seus familiares, que presta apoio e orientação através de seu corpo de voluntários.

 
GRUPO ESPERANÇA

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