DIAGNÓSTICO
A hepatite C pode ser diagnosticada num portador, no espaço de tempo de 5 a 12 semanas após o contágio mediante um simples exame de sangue (ANTI-HCV), hoje obrigatório nas doações de sangue na maioria dos países.
Na maioria dos casos não é observada nenhuma alteração física no doente. No máximo, alguns pacientes apresentam o que parece ser uma simples gripe com sintomas de fadiga, principalmente nas pernas, possíveis náuseas e dor abdominal. Em casos isolados, aparecem sinais de icterícia na pele ou no branco dos olhos, desaparecendo a coloração amarela ao cabo de algumas semanas; algumas pessoas experimentam uma inchação do fígado ou o baço como resultado da hepatite.Em mais de 80% dos infectados a infecção aguda prolonga-se por mais de 6 meses, transformando-se em doença crônica.
Após um resultado positivo de exame ANTI-HCV, deve-se confirmá-lo,
de preferência por outro método de resposta mais precisa. Na seqüência,
o médico vai solicitar diferentes exames de
transaminases e da função hepática, e finalmente, um exame de sangue
chamado PCR do RNA. É muito importante, porém não obrigatório, que este exame seja feito na
modalidade quantitativa para se dispor de uma futura referência na
variação dos níveis de infecção durante o tratamento.
Confirmada a atividade do vírus no sangue pelo PCR, o paciente será
submetido a exames para verificar a possibilidade de iniciar o
tratamento com Interferon e Ribavirina. O último e importante passo será
uma biopsia do fígado para determinar o dano até o momento e o grau de
fibrose ou cirrose já existentes.
O exame do abdômen pode revelar um aumento ou uma diminuição do volume do fígado; uma pessoa com hepatite pode sentir maior sensibilidade na parte superior direita do abdome. A tomografia e a ultra-sonografia podem ser usadas para avaliar o tamanho e a densidade do fígado, porém a biopsia será sempre necessária para determinar o seu verdadeiro estado.
Os sinais característicos da hepatite não são visíveis e só são
detectados nos exames de sangue específicos. Os
testes são de 2 tipos: testes das funções do fígado que determinam o
nível das enzimas hepáticas e outras substâncias no sangue, e testes
que determinam os antígenos da hepatite C, seus anticorpos e matéria
genética.
Os exames das funções hepáticas determinam o nível das enzimas
hepáticas chamadas de transaminases que processam os aminoácidos no
fígado; quando o fígado está inflamado estas enzimas aparecem em
nível alto no sangue. Níveis
das transaminases TGO (transaminase glutâmica oxalacética)e TGP
(transaminase glutâmica pirúvica) acima dos normais indicam algum dano hepático.
Em pessoas na face aguda da doença, as transaminases baixam na medida
em que o fígado se recupera; nos casos de hepatite C crônica, as
transaminases podem flutuar ou permanecer constantemente elevadas.
Como o fígado exerce uma função primordial no processamento de muitas substâncias, alterações no seu funcionamento podem ser detectadas mediante diversos exames sangüíneos. Níveis elevados de bilirrubina ( a bilirrubina é um pigmento esverdeado usado pelo fígado para produzir a bile) e de fosfatase alcalina, em geral indicam algum dano hepático, assim como um baixo nível de albumina serológica (proteína do sangue). Níveis altos e constantes de protombina, processo responsável pela coagulação, também podem ser um sinal de dano hepático severo.
O vírus da hepatite C produz antígenos e anticorpos facilmente detectáveis em um exame ANTI-HCV após 3 meses do contágio (teste Elisa e Riba). Testes recentemente desenvolvidos examinam diretamente a matéria genética do vírus da hepatite (DNA ou RNA), ao invés de buscar os antígenos e anticorpos, usando a reação da polimerase em cadeia (PCR) e do setor DNA (bDNA), sendo este mesmo exame usado para determinar a carga viral.
Uma seqüência de resultados positivos de vírus detectáveis significa que o mesmo se reproduz ativamente; o exame de PCR possui um um alto índice de eficácia, permitindo detectar o vírus pouco tempo após o contágio. Este exame deve ser usado para controlar o avanço da infecção, porém, como este é um método novo, a interpretação dos resultados ainda é objeto de estudos.
Pessoas com sintomas de neuropatia nas pernas (pernas pesadas)
principalmente na parte final do dia, ou que sentem um pequeno incômodo
no quadrante superior direito do estômago, devem ser encaminhadas
imediatamente a testes de função hepática.
Os sintomas de hepatite podem ser imitados por outras doenças (doenças
auto-imunes, câncer, síndrome de fadiga crônica, lúpus, artrites,
etc.), e se você tiver outra doença que não é diagnosticada
corretamente, você pode estar perdendo tempo em adquirir tratamentos
que poderiam ser efetivos para você.
Ainda é relativamente difícil encontrar um médico com experiência,
diagnosticando e tratando hepatite C. Os Infectologistas e Hepatologistas
têm se especializado cada vez mais em
doenças do fígado, e seriam as melhores escolhas, ou um
Gastroenterologista (especialista de doenças digestivas).É muito importante achar um médico que esteja familiarizado com esta
doença.
Se houver um grupo de apoio de hepatite
perto (na nossa região existe o Grupo Esperança), ele será uma fonte
excelente de conselho, identificando médicos e hospitais locais que
podem estar familiarizado com a hepatite.
Se não há nenhum grupo de apoio ou médicos especializados em sua
cidade você deve procurar um especialista em outra cidade. Se seu próprio
médico de confiança não é especializado, você poderia juntar alguns
artigos médicos em hepatite e tratamentos de hepatite e poderia
encorajar que seu médico os estudasse.
Na região da Baixada Santista, o Hospital
Guilherme Álvaro é o mais bem preparado para o atendimento dos
portadores de hepatite e deve tornar-se o Centro de Referência da
região; na Grande São Paulo o Centro de Referência é o Hospital
das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Dependendo da situação do paciente, o diagnostico através das
análises laboratoriais pode variar:
| Situação do paciente | ELISA | RIBA | PCR-RNA | TGO/TGP |
| Hepatite Crônica C | + | + | + | Alta |
| Portador do Vírus C | + | + | + | Normal |
| Revida da Infeção C | + | + | - | Normal |
| anti-HCV falso positivo | + | - | - | Normal |
Por isto, o GGT é utilizado como um teste adicional para estar seguro
que a elevação da Fosfatasse alcalina realmente está vindo do fígado.
Em contraste com a fosfatasse alcalina, o GGT tende não ser elevado em
doenças de osso, placenta, ou intestino. Elevação moderada ou
moderada de GGT na presença de uma fosfatasse alcalina normal é difícil
de ser interpretada e freqüentemente causada através de mudanças nas enzimas
de célula induzida por álcool ou medicamentos, mas sem causar dano ao
fígado.
A atividade bioquímica pode ser avaliada pela quantidade sérica da
alanina aminotransferase (ALT); por outro lado, a intensidade da doença
pode ser sugerida pelo tempo de protombina, nível de bilirrubina e de
albumina sérica. A biópsia hepática identifica a fase em que se encontra
a enfermidade; um ALT elevado indica inflamação do fígado
e deverá ser conferido mais adiante para saber se a pessoa é um doente crônico
e iniciar um possível tratamento. A avaliação deverá ser feita por
uma profissional médico especializado em hepatite C.
É comum em pessoas com hepatite crônica do tipo C ter os níveis
de transaminases subindo e baixando. Esta é uma das características da hepatite C e um fator que engana muitos
médicos sem experiência na doença. Em portadores crônicos devem ser feitos exames mensais durante um período
de 6 a 12 meses, para assim ter uma média.
Nos portadores que tiveram o vírus negativado após o tratamento, é recomendável medir as
transaminases, no mínimo de 3 em 3 meses.
O VHC apresenta vários subtipos, os genótipos, que são importantes porque
apresentam diferentes respostas ao tratamento. Os genótipos são: 1a, 1b, 1c, 2a, 2b, 2c, 3a, 3b, 4, 5. O genótipo 3a
têm a melhor taxa de resposta ao Interferon, e as pessoas com este genótipo
são geralmente mais jovens em idade e normalmente não usam drogas.A hepatite C esta em freqüente mutação, resultando em uma longa
variedades de Vírus. À semelhança dos EUA, estudos iniciais parecem apontar que o
genótipo 1b
seja o mais prevalecente no Brasil.
Um portador poder estar contaminado com vários tipos e sub-tipos ou
somente com um deles. Algumas pesquisas acham que o sub-tipo 1b é ao que parece o mais
agressivo dos Vírus, com uma predisposição maior de avançar para a
cirroses, e respondendo menos a terapia com Interferon. Assim o perigo de possuir mais de um genótipo diferente no organismo
existe aumentando o dano hepático e dificultando o tratamento. Por causa da resposta imune ineficaz, uma
infecção anterior não
protege contra reinfecção com o mesmo ou diferentes genótipos do vírus.
Hoje é possível determinar com qual genótipo uma pessoa está infectada, porém isto não
é determinante para decidir se é necessário
o tratamento com Interferon.
Os níveis de vírus no sangue podem variar como resposta a medicamentos imunodepressores, os quais podem fazer com que os portadores sejam mais infecciosos em alguns momentos. Os níveis no sangue podem aumentar pela ação de certos medicamentos como os esteróides e a ciclosporina. As pessoas com hepatite C que tomam estes medicamentos devem informar a seu médico para tomar as precauções necessárias.
O câncer (carcinoma hepatocelular) é uma ocorrência relativamente freqüente em pacientes com cirrose pelo vírus C. Desta forma, faz-se necessária a monitoração destes pacientes com determinação dos níveis séricos de alfa-feto proteína e o uso da ultra-sonografia abdominal de 4-6 meses.
Acontecendo cirrose, a acumulação de fluido na cavidade abdominal, ou
ascites, é relacionada à hipertensão do portal, redução significante
em albumina de soro, e retenção renal de sódio; o volume de ascites
abdominal em adultos com cirrose pode atingir 10 a 12 litros.
O fluido da ascites pode se acumular no escroto e na cavidade de tórax
onde sua presença, combinada com a pressão superior no diafragma do
fluido abdominal, pode afetar a respiração severamente; o apetite também
está freqüentemente reduzido pela distensão abdominal.
Ascites são tratadas diretamente pela remoção do fluido do abdômen
através de um furo com uma agulha para aliviar o desconforto e a
respiração.
São colocados os pacientes em dietas sem sal, e receitados diuréticos.
Se estas medidas não controlam o ascites volumoso, podem ser escoadas
as ascites interiormente correndo um tubo de plástico na cavidade
abdominal, debaixo da pele do tórax ou na veia jugular interna do
pescoço.
Às vezes acontece na cirrose, a hipertensão portal que é a pressão aumentada na veia portal tendo como resultado o bloqueio ao sangue no fígado; normalmente é causada pelos processos de cicatrização da cirrose. A pressão aumentada causa varizes, ou alongamento das veias que conduzem a veia portal; quando as varizes ficam situadas em tecidos superficiais, eles podem romper e podem sangrar.
Encefalopatia hepática recorre das mudanças no cérebro que acontecem
em pacientes com doença aguda ou crônica avançada, se células
estragadas, que normalmente são processadas no sangue pelo fígado saudável
não são afastadas (principalmente amônia, ou possivelmente certos ácidos
gordurosos). Um paciente com encefalopatia hepática crônica pode
desenvolver perda progressiva de memória, desorientação, desordem, e
tremores musculares, conduzindo a uma forma de demência crônica; a ingestão de proteína invariavelmente agrava estes sintomas.
O tratamento da encefalopatia hepática envolve, primeiro, a remoção
de todas as drogas que requerem ser processadas no fígado e, segundo, a
redução da entrada de proteína. Restringindo a quantia de proteína
na dieta, geralmente diminuem os níveis de aminoácidos e amônia na
circulação sangüínea e cérebro. A maioria dos médicos aconselha os
pacientes com esta condição comer só aproximadamente 40 gramas de
proteína por dia, e prescreverá lactulose para abaixar produção do
aminoácido.
Fontes Bibliográficas:
Evaldo Stanislau A. de Araújo - Correlação Clínico Patológica da Quantificação do RNA do VHC
Carlos Varaldo - Convivendo com a Hepatite C
Adávio de Oliveira e Silva/Laboratório Pizarro - Tratamento da Hepatite C e de suas formas evolutivas
Sociedade Brasileira de
Hepatologia/Ucifarma - Hepatite C
ROCHE - Brasil - O que você precisa saber sobre hepatites