IMPORTÂNCIA DA EQUIPE MULTIDISCIPLINAR

A importância da equipe multidisciplinar na atenção e assistência às hepatites virais. Jeová Pessin Fragoso é Diretor Presidente do Grupo Esperança

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Por Jeová Pessin Fragoso

 

A Secretaria Municipal da Saúde e as Organizações da Sociedade Civil de Porto Alegre servem como exemplo e merecem os parabéns por terem se unido para um mesmo objetivo: sensibilizar a gestão municipal de quão relevante é a implementação de uma equipe multidisciplinar, ou seja, um Serviço de Tratamento Assistido (STA), preocupado em não só aplicar medicamentos, mas sim favorecer a adesão ao tratamento das hepatites virais.

Esta iniciativa ameniza as intercorrências dos efeitos adversos, que embora variados no tipo e intensidade, acometem a grande maioria dos pacientes, prejudicando a qualidade de vida e, em alguns casos, provocando abandono e, consequente, resistência à terapia medicamentosa do vírus C da hepatite e suas graves formas evolutivas.

Embora o Ministério da Saúde por meio do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais atualmente esteja entendendo e focando atividades para a criação de STAs aos portadores de hepatites virais (em especial ao do tipo C), e de alguns municípios, que por esforço de alguns de seus servidores que atuam na ponta desse atendimento, estejam contemplando atendimentos multidisciplinares, torna-se imprescindível a pactuação das três esferas para a implementação desse serviço exemplificado agora pelo município de Porto Alegre.

O uso de antivirais com dosagem de injeção semanal e a ingestão de comprimidos diários trazem efeitos adversos, de variadas naturezas, com baixa ou alta intensidade. E considerando que o intervalo médio da consulta entre o paciente e seu médico é de 30 dias, a enfermagem ao perceber essas reações ou ao receber a queixa do usuário precisa ter as ferramentas para o encaminhamento agilizado.

É incontestável a importância da implementação dos STAs nesse molde por todo o País, seja para a eficácia do tratamento ou para a diminuição dos gastos da conta pública devido a retratamentos, internações e outros procedimentos de alta complexidade, como o transplante de fígado.

Vale ressaltar a experiência exitosa na implementação dos Centros de Referência e Tratamento para HIV/Aids nos municípios, o que caberia justificadamente às hepatites virais, principalmente para a hepatite C, que hoje apresenta um quantitativo alarmante de morbidades e óbitos, bem como supera em mais de cinco vezes o numero de pessoas infectadas pela HIV, e isso de forma silenciosa, pois raramente apresenta os sintomas clássicos, e quando os mesmos aparecem, a saúde já pode estar muito comprometida.

A Sociedade Civil Organizada reivindica equipes multidisciplinares nos serviços especializados às hepatites virais desde 2002, postulação presente em todas as cartas dos ENONGs (Encontros Nacionais das Organizações Não Governamentais de combate a aids e as hepatites).

Jeová Pessin Fragoso é Diretor Presidente do Grupo Esperança de apoio a portadores da hepatite C

 
 
 
 
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