EVOLUÇÃO DA DOENÇA
A hepatite C crônica antigamente era chamada por alguns médicos de persistente, quando as conseqüências sobre o fígado apresentavam-se moderadas; no entanto, a infecção pode evoluir e passar a ser denominada ativa. O vírus prossegue o seu trabalho de destruição no fígado que pode evoluir para uma cirrose. Atualmente, desaconselha-se diferenciar entre infecções persistentes e ativas, pois em certos casos, o dano hepático continua a evoluir mesmo em processos ditos persistentes.
Estimativas e estudos recentes indicam que a evolução para uma cirrose leva de 20 a 30 anos desde o contato inicial com o vírus. A evolução para um câncer geralmente dura, em média, de 6 a 10 anos após a instalação da cirrose.
Deve-se, obviamente, evitar o acúmulo de danos hepáticos causados por outros fatores tais como hepatite A e hepatite B (para essas existe vacina), álcool, medicamentos tóxicos para o fígado, etc.
Estudos franceses apresentados no congresso da NSW em Paris,
mostram que de cada 100 pessoas infectadas pela hepatite C, cerca de
15-20 estarão livres do vírus dentro de 3 meses. Dos restantes
80-85, cerca de 20 não sofrerão nenhum dano ou sintoma hepático
e 60-65 terão danos leves no fígado em 13 anos. Deste último grupo,
20-25 desenvolverão cirroses em 20 anos; destas, 5-10 pessoas
desenvolverão câncer de fígado 25-30 anos após a infecção
inicial.
O período de incubação (o tempo que decorre entre infecção e o
desenvolvimento de sintomas) varia para os diferentes vírus de hepatites
. Hepatite A e E podem desenvolver-se em duas semanas depois
da exposição, mas normalmente aparecem depois de quatro semanas. Para
a hepatite B e C pode variar de duas semanas a seis meses antes dos sintomas
aparecerem. (O
período de incubação mais comum é dois a três meses para hepatite B e
seis a nove semanas para hepatite C.).
Em experiências com chimpanzés, a hepatite D desenvolveu-se de duas a
dez semanas após a infecção.
Depois da exposição inicial, o VHC RNA pode ser descoberto no sangue
entre 1-3 semanas (ver link diagnóstico).
Dentro de uma média de 50 dias (de 15 a 150 dias), praticamente todos os pacientes desenvolvem
algum dano hepático, comprovado pela elevação
das transaminases ; lembrar que a maioria dos pacientes é assintomática. Só 25
a 35 por cento desenvolvem dores, fraqueza, ou anorexia, e alguns
ainda a icterícia.
Anticorpos para VHC (anti-HCV) quase invariavelmente se tornam detectáveis
durante o curso de doença. Anti-HCV pode ser descoberto em
aproximadamente 90 por cento de pacientes até 3 meses depois da infecção.
A progressão da doença depende de vários fatores relacionados ao vírus
e às condições do fígado. Em relação ao vírus, destacam-se
fatores mais agressivos como a viremia elevada e o genótipo 1b. Em relação
ao hospedeiro, destacam-se como fatores prejudiciais o estado de
imunodeficiência, o alcoolismo crônico e a co-infecção com os vírus
da hepatite B e da AIDS.
A evolução para hepatite C crônica em dependentes do álcool é
maior do que para os não dependentes; está realmente comprovado que o álcool
é altamente prejudicial para
portadores de hepatite C. O álcool inclusive abre o caminho para a replicação em portadores que
conseguiram negativar o vírus no organismo.
Pacientes alcoólicos com hepatite C possuem maior concentração de
ferro no fígado, segundo um estudo feito na Alemanha, facilitando
assim a ação virótica. Evidências clinicas verificaram o aumento da atividade hepática e
aumento da atividade virótica com o simples consumo de 10 gramas de
álcool por dia.
Segundo o mesmo estudo, o risco de contrair cirroses ou câncer hepático
em portadores de hepatite C dependentes do álcool é 8,3 vezes
superior que em portadores abstêmios.
Entre os fatores do meio ambiente e da forma de vida do portador que influem no curso e na progressão da doença, que são atualmente apresentados e discutidos nos Congressos Médicos podem ser citados os seguintes:
O tempo de contaminação: um tempo maior pode resultar em uma maior proporção na progressão.
A idade da pessoa ao ser infectada: Pessoas infectadas após os 50 anos podem ter uma enfermidade mais ativa.
O sexo do portador: as mulheres podem desenvolver uma progressão menos ativa que os homens.
A cor do portador: pessoas de pele escura parecem desenvolver uma forma mais ativa da doença que as pessoas brancas.
A raça do portador: as raças anglosaxonas parecem desenvolver uma forma mais ativa da doença que as raças Latinas.
A forma de contagio: os contaminados por transfusão parecem ter uma progressão mais rápida.
A carga excessiva de ferro: e verificada uma maior progressão da Hepatite C em portadores com altos níveis de ferro no fígado.
A ingestão de bebidas alcoólicas: aumenta consideravelmente a progressão da doença.
A co-infecção com Hepatite B: não aumenta a progressão para a Cirrose porém aumenta o risco de desenvolver Câncer no fígado e ainda cria riscos para uma hepatite fulminante.
A co-infecção com o HIV (AIDS): aumenta a progressão para a Cirrose e verifica-se uma proporção mais alta de Cirrose
Fumantes: e possível que exista um risco maior para desenvolver Câncer no fígado.
A influência da Imuno-supressão: os esteróides não parecem fazer com que a Hepatite C seja mais ativa.
A influência da hemofilia: alguns estudos (limitados) fazem pensar em uma menor incidência de fibroses nos portadores hemofílicos.
Fontes Bibliográficas:
Evaldo Stanislau A. de Araújo - Correlação Clínico Patológica da Quantificação do RNA do VHC
Carlos Varaldo - Convivendo com a Hepatite C
Adávio de Oliveira e Silva/Laboratório Pizarro - Tratamento da Hepatite C e de suas formas evolutivas
Sociedade Brasileira de
Hepatologia/Ucifarma - Hepatite C
ROCHE - Brasil - O que você precisa saber sobre hepatites
Recomendações da American Medical Association