Finalmente é iniciada a distribuição dos medicamentos para Hepatite C

Após 1 ano de interrupção medicamentos da Hepatite C voltam a ser entregues aos pacientes de todo o Brasil.

Finalmente cessará a angústia dos pacientes com Hepatite C e coinfecções, alguns na espera pelos medicamentos da Hepatite C há mais de 1 ano.

O tratamento que utiliza a associação de dois medicamentos (Sofosbuvir + Daclatasvir) tem uma duração média de apenas 12 semanas e são de alto custo, impossível de aquisição pela grande maioria dos pacientes e assim são disponibilizado pelo SUS, que obviamente paga um valor muito abaixo do que um paciente pagaria em uma distribuidora.

Veja quanto é o custo para adquirir:

Preço do Sofosbuvir em distribuidoras:

Sofosbuvir:

• De R$ 59.624,00 a R$ 88.360,80 o frasco com 28 comprimidos (4 semanas)

Daclatasvir:

• De R$ 21.755,50 a R$ 23.980,96 o frasco com 28 comprimidos (4 semanas)

Total do tratamento com 84 comprimidos de cada um dos dois medicamentos (12 semanas):

• De R$ 244.138,50 à R$ 337.025,28

Fonte: https://consultaremedios.com.br

A interrupção deu-se a partir da aprovação da ANVISA, em maio/2018, de um Sofosbuvir genérico fruto de um acordo de cooperação tècnico-científica que envolveu laboratórios particulares e o laboratório da Fundação Oswaldo Cruz -Fiocruz, que é vinculado ao MS.

Com essa aprovação e a perspectiva do governo federal pagar um valor bem mais baixo pelo genérico, já que é o MS que realiza a compra de forma centralizada cabendo aos estados e municípios a logística da distribuição, simplesmente não houveram mais aquisições, interrompendo a dispensação aos pacientes que vinha acontecendo de forma satisfatória desde outubro de 2015, e curando mais de 95% dos doentes.

Em março de 2018 estavam elegíveis para o tratamento e aguardando recebê-los aproximadamente 5 mil pacientes, os quais tiveram suas solicitações aprovadas nos serviços públicos de saúde de todo o país, após juntada de laudos de exame, prescrição medicamentosa e documentos pessoais.

É pertinente citar que todos esses 5 mil pacientes só tiveram seus pedidos aprovados e estavam na espera porque já tinham em forma evolutiva da doença já estabelecida, ou seja o grau de fibrose hepática em penúltimo ou ultimo estágio (F3 ou F4), ou ainda uma manifestação importante extra-hepática que poderia ser agravada pela infecção do HCV.

E nesse mesmo mês de março foi anunciado pelo MS a liberação do tratamento para paciente crônico da Hepatite C com qualquer grau de fibrose hepática, o que foi muito comemorado por pacientes e médicos especialistas, pois assim acabaria a exigência de ter que piorar para ter acesso, que era uma questão estritamente econômica.

Naturalmente, após essa ampliação as solicitações de tratamento junto ao SUS aumentaram e nos primeiros dias de 2019 já são quase 13 mil pacientes aguardando o recebimento dos medicamentos, com a grande esperança de estagnar a séria evolução da enfermidade quando não tratada, pois o caminho sem volta nesse caso é a cirrose hepática, com alguns e não poucos casos surgindo o câncer, com notória perda da qualidade de vida quando não a própria vida do infectado com o vírus da Hepatite C.

Com essa esperança virando uma severa angústia devido a essa interrupção, que independente de uma expectativa de menor custo de aquisição do tratamento, deveria ter o MS comprado mais uma grade para aqueles quase 5 mil que já tinham seus processos aprovados, alguns desde novembro de 2017, e não propiciado tanto sofrimento para pacientes e seus familiares, e se parentes dos que foram a óbito durante essa exacerbada demora culparem o governo por esses "descaso" mesmo que o motivo possa ser outro, ficará difícil contra argumentar.

Que então os estados da federação empenhem-se na organização para distribuir com celeridade os medicamentos aos seus pacientes, e que algumas questões que certamente irão gerar dúvidas sejam resolvidas imediatamente, como entre outras a expiração da validade de exames descritos no Protocolo, e que obviamente esses genéricos do medicamento Sofosbuvir tragam os mesmos percentuais elevados de cura do original do laboratório Gilead, e igualmente não apresentem reações adversos.

PROTOCOLO CLÍNICO E DE DIRETRIZES TERAPÊUTICAS PARA HEPATITE C E CO-INFECÇÕES - PCDT

Retratamento:

Nesse PCDT foram incluídos outros medicamentos, todos de ponta, alguns pangenótipos (utilizados para qualquer um dos 6 tipos do vírus da Hepatite C), que poderão utilizados para re-tratamento aos que não conseguirem eliminar o HCV.

No entanto, a aquisição desses medicamentos que poderão ser utilizados para re-tratamento depende do pregão que haverá no próximo dia 16/01, para aquisição de 50 mil tratamentos, e que envolverá todos os medicamentos listados nesse ultimo PCDT.

Rogamos para que não hajam mais esse tipo de estratégia, como o da interrupção citada, e com competência e seriedade o Brasil possa cumprir o compromisso alinhado com a Organização Mundial de Saúde, de eliminar o HCV até o ano de 2.030.

 
 
 
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