Presidente do GE recebe transplante de fígado

 

O fim da esperança é o começo da morte. A frase dita pelo ex-presidente da França Charles de Gaulle, na década de 60, pode ser considerada um dos lemas de vida do administrador de empresas Jeová Pessin Fragoso, de 57 anos. Portador do vírus da hepatite C crônica desde os 42 anos, ele se viu entre a vida e a morte nos últimos meses.

No entanto, graças a um transplante de fígado realizado no último dia 3, no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, Jeová já conta as horas para reiniciar a sua vida cheio de saúde. Ele é um dos fundadores e presidente da organização não governamental (ONG) Grupo Esperança, que dá apoio em todos os sentidos aos portadores de hepatite C.

“Em todos os momentos, inclusive nos mais críticos, mantive a esperança. Quem não a alimenta não consegue nada nessa vida. Para mim, dia 3 de julho significa o meu segundo nascimento. Nasci em 3 de dezembro de 1957 mas, a partir deste ano, tenho dois aniversários. Dor de cabeça para os meus amigos, que agora terão que me dar dois presentes por ano, conta ele, aliviado e com bom humor, ainda na cama de um dos quartos do hospital na Capital. Porém, os momentos de alegria nos últimos meses foram raros. Apesar de portar a doença há 15 anos, foi em dezembro de 2013 que a enfermidade se agravou e acendeu o sinal de alerta.

“Durante todos esses anos fiz uso de vários medicamentos e passei por quatro tratamentos que não apresentaram o resultado ideal, mas ajudaram a controlar a doença. Até então, nunca tinha tido uma evolução tão grave da hepatite C”, explica Jeová.

“No final do ano passado, tive uma encefalopatia hepática – doença caracterizada pelo mau funcionamento do cérebro devido a problemas no fígado. Foi o primeiro grande susto. Em maio, enquanto o meu caso era estudado por grupos do Albert Einstein, tive ascite (retenção de líquido no abdômen) e a minha gravidade, que era baixa, aumentou de repente. Comecei a correr riscos de morte”, acrescenta.

Ciente da seriedade do caso, o médico infectologista, amigo e vereador Evaldo Stanislau (PT), que também é fundador da ONG, resolveu encaminhar Jeová para o circuito de transplante de fígado em São Paulo, custeado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

“O transplante de fígado ocorre conforme a necessidade. Não funciona por fila de espera. O paciente em estado mais grave recebe o órgão primeiro. E na ocasião o caso dele se tornou o mais grave”, explica o médico.

Jeová, que havia dado entrada no hospital em 22 de junho, recebeu um novo fígado 12 dias mais tarde. “O mais emocionante de tudo é que a partir de agora vou poder jogar meu futebol com os amigos. A doença me impediu de fazer isso por alguns anos. Vou poder voltar a viajar com a minha família”, desabafa Jeová, aos prantos.

Segundo o médico, Jeová não está 100% curado e precisará de monitoramento.

“Ele ainda faz hemodiálise e tomará remédios ao longo da vida para evitar uma nova evolução da doença. Mas costumo dizer que o Jeová é um caso emblemático da doença. Ele merece tudo isso que conseguiu, porque percorreu todos os caminhos da enfermidade e a venceu”, diz Stanislau.

 

 
 
 
 
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