Evento sobre prevenção em Santos aborda medicamentos para Hepatite C


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Na segunda-feira, dia 18/04/2016, o acesso ao tratamento das hepatites foi destaque no Encontro Regional de Inovações na Prevenção de DST/Aids e Hepatites Virais. O evento foi realizado no Sindipetro (Sindicato dos Petroleiros), em Santos, litoral de São Paulo, nos dias 18 e 19 de abril. Durante a palestra “Panorama das DSTs, Aids e Hepatites Virais no Estado de São Paulo”, Sirlene Caminada, da Divisão Estadual de Hepatites, mostrou que o estado tem 9.264 pacientes elegíveis para receber o tratamento da doença, porém 5.831 ainda não receberam. Ainda, dos 55.012 casos de hepatite C de SP, 5.692 vivem com HIV. Já no caso da hepatite B, dos 31.663 casos, 2.698 estão coinfectados.

“O acesso ao tratamento é o que temos de mais novo, mas também o que temos de mais complicado. Esse tratamento [sofosbuvir, simeprevir e daclatasvir], além de ter a capacidade de cura, tem efeitos colaterais menores. Os pacientes têm expectativas, mas vivemos em um momento muito critico financeiramente”, disse Sirlene

ativista Jeová Fragoso, do Grupo Esperança, que estava na plateia, elogiou a compra dos 30 mil tratamentos realizados pelo governo federal, mas não se absteve de aprofundar a discussão: “Eu fiz o tratamento e fui negativado em 30 dias. Mas o que fazer com a fila de espera? E os casos cirróticos? Já tentamos quebra de patente e procuramos caminho para ampliar o acesso, mas precisamos de ajuda. Precisamos recorrer a uma medida judicial? Afinal, existe um remédio que oferece a cura, mas não temos acesso a ele.”

Atraso na entrega

Sirlene explicou que apenas 1/3 dos pacientes que estão com todo o processo pronto no estado receberam tratamento, pois os remédios, que deveriam chegar no início de abril, não chegaram. “Agora, no dia 20 de abril, vamos receber só o sofosbuvir, mas não era o que a gente esperava. Estamos com atraso de cinco mil tratamentos. O Ministério precisou negociar a diminuição do preço. O dólar mais que dobrou e vivemos uma crise em todos os níveis”, comentou.

“O orçamento do Ministério para a compra dos remédios era de R$ 700 milhões. Um tratamento de 12 semanas, para hepatite C, custa US$ 6 mil. Ainda temos de cumprir o protocolo, uma medida de saúde pública para atender o maior número possível de pessoas. É tudo novo e ainda estamos aprendendo”, justificou.

Rebatendo as justificativas de Sirlene, Jeová afirmou que o protocolo é o que a saúde tem de mais simples. “Quantos pacientes [com hepatite C] estão afastados de seu trabalho? Quanto custa para o estado uma internação? Por que os estados não procuram negociar também? O que é gasto com a falta de medicamento podia ser usado para comprá-los” sugeriu. “Estamos apelando uma solução. Precisamos de acesso”, concluiu.

No debate sobre outras DSTs e aids, o tom não foi diferente. “Vivemos momentos de avanços tecnológicos, mas o grande desafio é fazer com que as pessoas tenham acesso a esses benefícios. Nós, profissionais, precisamos refletir sobre o que fazemos no nosso dia a dia”, alertou Sandra Filgueiras, da gerência de DST, Aids e Hepatites Virais da Secretaria Estadual da Saúde do Rio de Janeiro, também na mesa de abertura.

“Precisamos falar de prevenção porque ela trás resultados efetivos e é uma medida muito mais barata”, disse Tânia Justos, presidente da ASPPE (Associação Santista de Pesquisa, Prevenção e Educação em DST/Aids), promotora do evento, que reúne gestores e especialistas das áreas saúde, educação e assistência social, do sudeste do país.

O secretário municipal de saúde de Santos, Marcos Calvo, afirmou que o encontro, realizado pela ASPPE, acontece em um momento muito importante para a área. “Aqui, podemos dialogar sobre o que tem acontecido no campo das DSTs e trocar experiências”, disse, relembrando o pioneirismo que o município já ocupou no combate às DST/aids.

Gionave (Gil) Casimiro, coordenador nacional de Prevenção às DSTs, Aids e Articulação Social, do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais se comprometeu a levar as demandas apresentadas no encontro para o departamento com o objetivo de responder e solucionar os problemas apresentados.

 
 
 
 
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