Tratamento para Hepatite C: NÃO PARAR, NÃO DIMINUIR


Foi com imensa alegria que estamos recebendo nesses últimos dias de maio em nossa sede, várias presenças e contatos de pacientes que aguardavam os medicamentos de Hepatite C livres do interferon, dizendo que receberam telefonema da Assistência Farmacêutica do AME de Santos para agendar o recebimento dos mesmos.

Após um período inicial de desencontro de informações, que causou devoluções de processos equivocadas e outras situações que para desespero dos portadores e seus médicos pareciam emperrar o processo do acesso às medicações, felizmente percebemos hoje um empenho das equipes das assistências farmacêuticas, tanto da Baixada Santista como do Estado de São Paulo, detentora de aproximadamente 50% da demanda do país, para agilizarem a dispensação em conformidade com o que é preconizado pelo MS.

Um ofício de esclarecimento feito pelo MS/DAF/SCTIES às Coordenações Estaduais da Assistência Farmacêutica (anexo), e as reuniões presenciais incluindo a coordenação de Hepatites do DDAHV/MS facilitaram o ajuste na logística de dispensação aos pacientes.

A emoção é contagiante, pois os resultados exitosos dos que já terminaram o tratamento, e mesmo com as preditivas dos que ainda não completaram as 12 semanas e que estão apresentando carga viral indetectável, trazem nos rostos e nas falas desses pacientes e seus familiares, principalmente os que já foram experimentados com vários tratamentos e que sofreram severas reações adversas e não obtiveram sucesso, uma esperança de recuperarem a qualidade de vida e a perspectiva de ainda sonharem com o futuro de uma vida normal ao lado de seus parentes e amigos.

Obviamente que a demanda ainda mostra-se reprimida, e torcemos para que todos que já protocolaram suas solicitações - o que retrata que estão inclusos no Protocolo do SUS por já apresentarem forma evolutiva da doença - recebam os fármacos com a maior celeridade possível, bem como a ampliação do acesso em um futuro breve contemple todos os portadores crônicos dessa séria e incidente enfermidade, e assim não precisem piorar para poder tratar e curar. É pertinente lembrar que esses novos medicamentos também podem ser administrados aos co-infectados, transplantados e pré-candidatos à transplante de órgãos sólidos, segmentos esses considerados de prioridade.

A complexidade do agravo estende-se aos mecanismos de acesso. No que pese a negociação de preços exitosa do MS nesses primeiros 30 mil tratamentos adquiridos junto aos fabricantes e quase já na finalização do processo de entrega aos pacientes (vide planilhas da entrega do MS aos Estados) o custo ainda é alto, principalmente em um momento político-econômico desfavorável, porém talvez um estudo de fármaco-economia certamente indicará que o gasto público ficaria bem menor com a dispensação dos tratamentos medicamentosos, do que com procedimentos médicos refratários, o que incluem alta complexidade laboratorial, internação, transplante hepático e outros tópicos extra clínicos, como incapacidade laborativa que traz licença médica e aposentadoria por invalidez.

Esse quadro mostra que grandes municípios e principalmente os Estados deveriam também pactuar na aquisição desse revolucionário tratamento. Os planos de saúde privado também deveriam analisar que diferente do preço "cheio" que pagam pelos medicamentos ajuizados por beneficiários, possam através de negociação com os fabricantes adiquirí-los por um preço mais acessível e assim incluí-los no rol de cobertura.

Paralelamente outras estratégias devem ser implementadas para permitir então o acesso à esses eficazes medicamentos à todos portadores crônicos da Hepatite C, bem como realizar campanhas sustentadas de divulgação à prevenção incluindo a triagem por testagem sorológica, haja vista que mais de 70% dos portadores do HCV não sabem que estão infectados.

Acreditamos que as Sociedades Médicas de todas as patologias dariam uma valiosa contribuição nesse sentido, ao fazerem essa recomendação aos médicos das diversas especialidades, que incluíssem na sua prescrição de exames laboratoriais o Anti-HCV.

A média de tratamentos nos últimos anos no Brasil acusou 14 mil pacientes e assim a partir de outubro passado, os 30 mil que já estão praticamente distribuídos na sua totalidade, pode parecer a primeira vista um numero mais que o dobro do necessário, porém mostra-se ainda insuficiente, pois pelas características bem diferenciadas dos anteriores, principalmente em relação à eficácia de quase 100% contra 40%, e principalmente sem apresentar reações adversas, as quais nos anteriores eram muito severas e causavam um grande numero de interrupções, muitos pacientes já desesperançosos e traumatizados com os tratamentos antigos, como "Fênix Ressurgiram das Cinzas", e reiniciaram sua trajetória nos consultórios e ambulatórios da especialidade, para obterem talvez sua única e derradeira chance de livrarem-se da doença. Isso está extrapolando sensivelmente a média apontada com o uso dos medicamentos anteriores que incluía o algoz interferon.

Não podemos deixar de lembrar e agora ratificar as palavras do Dr. Arthur Chioro, que enquanto Ministro da Saúde em julho de 2015, durante o lançamento do Protocolo Clínico e de Diretrizes Terapêuticas da Hepatite C e coinfecções - PCDT, disse que a incorporação dos novos DAAs seria "um divisor de águas" no enfrentamento da enfermidade no Brasil. Acertou na definição, que teve a imprescindível corroboração e até agora a continuidade das ações do Departamento Nacional de DST, Aids e HV capitaneado pelo Dr. Fábio Mesquita.

Não podemos deixar, todos nós portadores, familiares, técnicos da saúde, gestores, parlamentares, enfim todos que de forma direta e indireta lidem com essas doenças, que as atuais mudanças no Ministério da Saúde e no Governo Federal em geral, que já anuncia considerável corte no orçamento da saúde, prejudique o andamento do programa Nacional de DST, Aids e Hepatites do Brasil, que mostra-se em um momento de inusitada resolutividade em prol da saúde da população envolta com esse agravo.

Finalmente desejamos então, que após finalizada a remessa desse primeiro semestre de 2016, não inicie um hiato na dispensação, e pelo contrário, que as próximas venham mais numerosas para que assim possamos crer com maior veemência que a meta da Organização Mundial da Saúde para que a eliminação do HCV ocorra até 2030 seja alcançada, e assim O Dr Evaldo Stanislau que tem representado o Brasil no Comitê Estratégico de Hepatites e no Grupo de Consenso da Hepatite C na OMS, possa anunciar o Brasil como um dos primeiros a contemplá-la.

Primeira distribuição de SOL DAC e SIM

Segunda distribuição de SOL DAC e SIM

Terceira distribuição de SOL DAC e SIM – tri 2 2016

Oficio para coordenadores estaduais

Saudações fraternais,
Jeová Pessin Fragoso

 
 
 
 
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