TÁ NA LEI, TÁ BELEZA

A Prefeitura e a ONG Grupo Esperança lançaram a partir de 17 de setembro de 2005, o Projeto de Educação e Prevenção em Hepatites B e C e a campanha Tá na Lei, Tá Beleza, ambos direcionados aos profissionais de beleza e estética. A apresentação ocorreu às 10 horas, no Salão Nobre do Paço, e contou com a participação de autoridades médicas, funcionários do Programa Municipal de Hepatites Virais (PMHV), integrantes da ONG Grupo Esperança e representantes de associações e sindicatos da categoria. A campanha para esclarecimento popular teve o apoio do jogador de vôlei Giovanni. O projeto visa vacinar contra a Hepatite B e capacitar em biossegurança 70% dos profissionais em atividade no Município, através de diversas ações planejadas que ocorrerem entre os meses de setembro e dezembro deste ano.

Em um primeiro momento, os agentes de controle da dengue (Peea), da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) – já capacitados pela Unidade de Prevenção à Aids (SeAids) - e os voluntários da ONG fazem o trabalho de campo para a identificação dos salões de beleza e congêneres, esteticistas, depiladores, maquiadores, cabeleireiros, barbeiros, manicures, pedicures, podólogos, tatuadores e piercers, com estabelecimentos comerciais ou autônomos.

Durante esse contato, são explicadas as formas de transmissão das Hepatites B e C e HIV, as medidas de precauções padrão, os serviços de atendimento SUS para essas infecções e a divulgação da Lei Complementar Municipal nº 529, de 20 de abril de 2005, sobre biossegurança. Após a segunda dose da vacina, no total de três, o profissional teve direito a um cupom para concorrer ao sorteio de autoclaves e kits de manicures.

O sorteio ocorreu no dia 16 de Dezembro, sexta-feira e contou com a presença de representantes da Secretaria Estadual de Saúde, através da DIR-IXX, Secretaria Municipal de Saúde, Legislativo Municipal, empresas colaboradoras e profissionais das áreas de beleza e estética. A campanha terá continuidade, com a divulgação e prevenção das hepatites e do controle da biossegurança, através das ações da Secretaria Municipal de Saúde e do corpo de voluntários do Grupo Esperança.

Leia abaixo o que já foi escrito sobre a Campanha Tá na Lei, Tá Beleza.

CONCIENTIZAÇÃO E ORIENTAÇÃO DE ESTERILIZAÇÃO PARA SALÕES DE BELEZA E SIMILARES

Tribuna

Quarta-Feira, 2 de Novembro de 2005

Campanha já atingiu 500 estabelecimentos

Da Reportagem

Aproximadamente 500 salões de beleza, clínicas de estética e estúdios de tatuagem e piercing de Santos já foram visitados durante a campanha para prevenir a transmissão das hepatites virais, que foi iniciada dia 16 de setembro e vai até 16 de dezembro.

O trabalho está sendo realizado pelo Grupo Esperança em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Segundo o presidente da organização não-governamental (ONG), Jeová Pessin Fragoso, até o final da campanha, deverão ser visitados mais de 2 mil estabelecimentos.

Os voluntários do grupo ou agentes de saúde vão aos locais para explicar sobre as maneiras corretas de se esterilizar os instrumentos utilizados por manicures, barbeiros, cabeleireiros, maquiadores, tatuadores e outros profissionais.

Um equívoco recorrente é deixar o alicate menos do que uma hora no aparelho esterilizador. ‘‘Precisa ficar pelo menos uma hora e aquecido a 170 graus, menos que isso não adianta’’, explica Fragoso. Ele comenta ainda que o equipamento mais eficiente para garantir a segurança dos clientes e profissionais é o autoclave.

Segundo o presidente da ONG, os salões são grandes portas de entrada para a transmissão desses vírus. ‘‘Nas transfusões não existe mais este risco, porque são realizados os exames antes’’. Ele alerta que isso ocorre principalmente devido à resistência dos vírus, que podem ficar ativos até três dias nos aparelhos.

Para incentivar a prevenção, a campanha inclui a promoção Tá na lei, tá beleza. Para participar, o estabelecimento precisa regularizar a atividade e apresentar comprovante de que os funcionários tomaram a vacina contra a hepatite B ou que fizeram o teste sorológico para as hepatites B e C — procedimento gratuito em qualquer policlínica.

Haverá sorteios, em 16 de dezembro, de aparelhos de esterilização e de instrumentos ou materiais de manicure. As normas para os salões estão na Lei Complementar número 529, criada em 20 de abril deste ano. Ontem, voluntários da campanha estiveram em um salão tradicional do Gonzaga. O proprietário, Manoel Duarte, mostrou que segue os procedimentos de segurança e informou que pretende adquirir os equipamentos de esterilização mais modernos indicados pelos agentes de saúde.

‘‘Os clientes estão cada vez mais exigentes’’. Ele também disse que vai providenciar para que os funcionários tomem a vacina contra a hepatite B.

A manicure Cleusa Oliveira Urbani, de 50 anos de idade e 30 de profissão, possui dez alicates para poder deixá-los o tempo certo dentro do aparelho de desinfectação. ‘‘Deixo no mínimo três horas e coloco até os palitos’’. Ela também comenta que não se importa em utilizar os instrumentos das próprias clientes.

A cliente Jurandina Cota, de 60 anos, não costuma levar seu alicate de casa, mas diz que sempre pergunta sobre a higienização do aparelho quando vai a um salão que não costuma ir com frequência.

Conforme Fragoso, a hepatite C é o tipo mais grave (em 85% dos casos, ela se transforma em doença crônica). A principal consequência é o desenvolvimento de cirrose. O tratamento é caro e a maioria dos doentes precisa de transplante de fígado para se curar. Mas apenas 25% dos que estão na fila conseguem a doação.

Há 6 milhões de doentes de hepatite no Brasil, conforme o Grupo Esperança. Os sintomas são imperceptíveis, por isso, aconselha-se fazer regularmente os exames.

 
 
 
 
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